METODOLOGIA TÉCNICO-CIENTÍFICA
ISO 4628-8 — AVALIAÇÃO DE CORROSÃO
Análise Digital do Grau de Corrosão com ImageJ
Da referência visual à medição quantitativa da área corroída
- DESENVOLVIMENTO
- Paulo C. M. Tiano em colaboração com a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo
- APLICAÇÃO
- Avaliação de corpos de prova submetidos a ensaios acelerados de corrosão
- SOFTWARE
- ImageJ — processamento e análise científica de imagens
- REFERÊNCIA
- ISO 4628-8 — avaliação de corrosão e delaminação ao redor de uma incisão
- ÁREA
- Proteção Anticorrosiva
- DOCUMENTO
- Relatório técnico — 8 páginas
O problema da avaliação visual
A ISO 4628-8 apresenta referências visuais para classificar o grau de corrosão ao redor de uma incisão. Embora essenciais para a comparação, imagens avaliadas apenas pelos olhos permanecem sujeitas à interpretação individual do avaliador.
A metodologia desenvolvida com a USP acrescentou uma camada quantitativa a essa avaliação. As imagens de referência foram digitalizadas e analisadas, permitindo relacionar cada classificação visual a uma área corroída mensurável.
Como a técnica funciona
- Os corpos de prova são digitalizados em um escâner de luz refletida, com resolução definida.
- Contraste, brilho e cor são ajustados para diferenciar a região atacada das demais áreas.
- O ImageJ cria uma máscara que isola a área corroída.
- A escala da imagem estabelece a relação entre pixels e as dimensões reais do corpo de prova.
- O software calcula a área atacada em centímetros quadrados.
- O resultado quantitativo é relacionado ao grau visual correspondente.
Faixas obtidas para os corpos de prova estudados
As imagens-padrão em escala 1:1 foram processadas para estabelecer as faixas abaixo. Os valores se referem à geometria analisada no relatório, com área de referência de 9,7 × 1,9 cm, e não devem ser tratados como limites universais da norma.
Precisão aplicada ao projeto
O método foi utilizado nas amostras estudadas no trabalho apresentado na ABRAFATI 2017. Foi ele que permitiu registrar áreas corroídas de 0,333 cm² e 0,852 cm² para as duas formulações comparadas, ambas enquadradas no grau G1.
Essa precisão complementa a classificação visual: dois resultados podem pertencer ao mesmo grau e, ainda assim, apresentar diferenças mensuráveis. O procedimento melhora a rastreabilidade, facilita comparações e fortalece a interpretação científica dos ensaios.
Quando a imagem deixa de depender apenas dos olhos e passa a produzir números, a avaliação ganha precisão, rastreabilidade e força científica.