6.4

METODOLOGIA TÉCNICO-CIENTÍFICA

ISO 4628-8 — AVALIAÇÃO DE CORROSÃO

Análise Digital do Grau de Corrosão com ImageJ

Da referência visual à medição quantitativa da área corroída

DESENVOLVIMENTO
Paulo C. M. Tiano em colaboração com a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo
APLICAÇÃO
Avaliação de corpos de prova submetidos a ensaios acelerados de corrosão
SOFTWARE
ImageJ — processamento e análise científica de imagens
REFERÊNCIA
ISO 4628-8 — avaliação de corrosão e delaminação ao redor de uma incisão
ÁREA
Proteção Anticorrosiva
DOCUMENTO
Relatório técnico — 8 páginas

O problema da avaliação visual

A ISO 4628-8 apresenta referências visuais para classificar o grau de corrosão ao redor de uma incisão. Embora essenciais para a comparação, imagens avaliadas apenas pelos olhos permanecem sujeitas à interpretação individual do avaliador.

A metodologia desenvolvida com a USP acrescentou uma camada quantitativa a essa avaliação. As imagens de referência foram digitalizadas e analisadas, permitindo relacionar cada classificação visual a uma área corroída mensurável.

Como a técnica funciona

  1. Os corpos de prova são digitalizados em um escâner de luz refletida, com resolução definida.
  2. Contraste, brilho e cor são ajustados para diferenciar a região atacada das demais áreas.
  3. O ImageJ cria uma máscara que isola a área corroída.
  4. A escala da imagem estabelece a relação entre pixels e as dimensões reais do corpo de prova.
  5. O software calcula a área atacada em centímetros quadrados.
  6. O resultado quantitativo é relacionado ao grau visual correspondente.
PADRÃO QUANTITATIVO EXPERIMENTAL

Faixas obtidas para os corpos de prova estudados

As imagens-padrão em escala 1:1 foram processadas para estabelecer as faixas abaixo. Os valores se referem à geometria analisada no relatório, com área de referência de 9,7 × 1,9 cm, e não devem ser tratados como limites universais da norma.

G1Muito suaveA < 1,4 cm²
G2Suave1,4 ≤ A < 2,3 cm²
G3Moderado2,3 ≤ A < 3,7 cm²
G4Considerável3,7 ≤ A < 6,0 cm²
G5SeveroA ≥ 6,0 cm²

Precisão aplicada ao projeto

O método foi utilizado nas amostras estudadas no trabalho apresentado na ABRAFATI 2017. Foi ele que permitiu registrar áreas corroídas de 0,333 cm² e 0,852 cm² para as duas formulações comparadas, ambas enquadradas no grau G1.

Essa precisão complementa a classificação visual: dois resultados podem pertencer ao mesmo grau e, ainda assim, apresentar diferenças mensuráveis. O procedimento melhora a rastreabilidade, facilita comparações e fortalece a interpretação científica dos ensaios.

Quando a imagem deixa de depender apenas dos olhos e passa a produzir números, a avaliação ganha precisão, rastreabilidade e força científica.