PAPER TÉCNICO-CIENTÍFICO
Tinta Acrílica DTM com Inibidores de Corrosão Encapsulados
Uso de tintas acrílicas base aquosa para proteção anticorrosiva de estruturas metálicas em ambientes agressivos com inibidores de corrosão encapsulados
- AUTORES
- Paulo C. M. Tiano, Tiago Ferrer, Fernando Cotting e Idalina V. Aoki
- INSTITUIÇÕES
- Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e Indústria Elétrica Marangoni Maretti Ltda.
- EVENTO
- Congresso Internacional de Tintas ABRAFATI 2017
- ANO
- 2017
- ÁREA
- Proteção Anticorrosiva
- DOCUMENTO
- Paper em português — 13 páginas
A evolução do projeto
Os trabalhos apresentados na EUROCORR 2015 e na INTERCORR 2016 demonstraram o potencial de uma tinta acrílica DTM — aplicação direta sobre metal — de base aquosa, com baixo VOC e aproximadamente 200 µm de espessura de filme seco.
Em 2017, a pesquisa avançou para uma nova pergunta: seria possível incorporar proteção ativa ao revestimento? O estudo comparou a formulação com 4% de fosfossilicato de zinco modificado a uma formulação contendo 2% de nanotubos de haloisita carregados com dodecilamina, um inibidor de corrosão.
Novas ferramentas de avaliação
- 1.440 horas de exposição em névoa salina;
- análise digital da corrosão por classificação de imagens no ImageJ;
- espectroscopia de impedância eletroquímica — EIS — por até 1.008 horas;
- técnica de varredura do eletrodo vibratório — SVET;
- ensaios de aderência por tração e medição de brilho;
- avaliação de empolamento e corrosão na região da incisão.
Barreira convencional e resposta ativa
Na névoa salina, os dois sistemas receberam classificação G1. A formulação com fosfossilicato apresentou menor área absoluta corroída: 0,333 cm², contra 0,852 cm² para a formulação com haloisita. No empolamento, os resultados foram 2(S4) e 2(S3), respectivamente.
Essa leitura isolada, porém, não resume o conjunto do trabalho. A tinta com inibidor encapsulado manteve impedância pelo menos meia ordem de grandeza superior e mais estável, apresentou aderência de 10,1 MPa após a névoa salina — contra 8,4 MPa — e preservou melhor o brilho: 39,9 unidades, contra 5,3.
Proteção ativa no defeito
O ensaio de SVET tornou visível a principal evolução tecnológica. Na formulação com fosfossilicato, a atividade anódica e catódica permaneceu distribuída na região danificada. Com os nanotubos de haloisita, a dodecilamina foi liberada no defeito e reduziu a atividade corrosiva ao longo do tempo.
O resultado evidencia um mecanismo de autorreparação: o revestimento não atua apenas como barreira, mas responde ao início do processo corrosivo liberando o inibidor onde a proteção foi rompida.
A inovação não terminou quando o produto funcionou. Foi justamente ali que começou uma nova pergunta: como torná-lo ainda mais inteligente?